Sou especialista em sobrevivência emocional.
Ganho pouco dinheiro, mas poderia me alimentar (ao menos) com meus ganhos e o resto eu sei que daria um jeito se de repente me visse perdida pelo mundo.
Porque sempre dei.
Arranjo uma maneira de ser feliz. Sempre.
Meu desespero e minha tristeza não sobrevivem mais do que 48 horas. Morrem mal nutridos.
Quando eu passava por vários infortúnios em um passado longínquo, me imaginava na guerra. Na guerra de verdade, com tiros, crueldade, fome, privações, infelicidade. O que poderia ser pior do que tudo aquilo? Morrer e não poder ter mais uma réstia de esperança, uma ideia de futuro.
Depois de tantos exercícios de resistência, me tornei mestre em tolerância. Comigo, com os outros, com a circunstâncias.
Tive que desenvolver um método eficaz contra a super sensibilidade que tenho. Aquela que me faz questionar o mundo, as pessoas, chorar por bebês, crianças, animais, injustiças, atrocidades.
Quando estou tão curvada que meus ombros quase arrastam no chão, meus olhos embaçam de tantas lágrimas, meu coração aperta de tanta coisa, trato de fazer algo que me puxe pelos braços do abismo negro da negatividade.
E tem tantas alternativas...
Nossas boas lembranças, cheiros. As nuvens, os pássaros (que labutam todos os dias, mas não dormem sem comer). As ondas. O suor, a batida forte do coração. Um abraço apertado em um filho (mesmo que ele não goste de dar), assistir às estripulias dos cães, olhar para a ponta de um Eucalipto contra o azul do céu. Encher o corpo de creme cheiroso, beber um vinho olhando para as estrelas. Deitar no sol. Café com as amigas. Boa música.
Cada um tem o seu Kit de sobrevivência emocional.
É só lembrar o que fez você estar aqui até hoje, querendo.
Porque querer é o primeiro sinal de vida. Querer comer, beber, sentir conforto.
Respirar.
E se estamos ainda resilientes nessa vontade, significa que somos muio mais fortes do que imaginamos.
Você é.
Eu sou.
Porque jamais desisto de ser feliz.

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