sexta-feira, 25 de abril de 2014

Monstros Embaixo da Cama


Sou covarde.
Existem coisas das quais fujo para não sofrer mais do que já sofro com Essa Coisa Toda Louca que é a humanidade.
Postagens no Facebook de animais mutilados, pessoas doentes terminais, pessoas em acidentes, deleto sem ver. Porque preciso de uma certa dose de ignorância para poder fazer os meus pulmões funcionarem.
Evitei ao máximo falar, falar mesmo, não escrever (escrever dói mais quando se escreve sobre dor) sobre essa tragédia horripilante desse menino de nome tão lindo.
Certas coisas são difíceis demais de absorver e essa é uma delas.
Mas temos que enfrentar.
Antes de chegarmos à maturidade temos medo de tudo que realmente não nos põe em risco.
Monstros embaixo da cama, fantasmas, bruxas, vampiros, homem do saco.
Nessas horas de suor frio, protegidos por pilhas de cobertas, pensamos em uma única salvação: nossos pais.
Crescer dói demais.
Porque vemos que os monstros mais horripilantes não se escondem hipoteticamente embaixo da cama.
O monstro gera, procria e nos coloca perto.
E é duro demais reconhecer que o amor visceral possa falhar. 
Os monstros somos nós.
E digo nós, pois com amargura aceito que pertenço à essaespécie bizarra que é capaz de fazer sofrer e matar o fruto de suas próprias entranhas.
Essa espécie que esconde a feiura aterradora atrás de um óculos Ray Ban, de uma profissão honrada, de fotos sorridentes.
Esses monstros que não são verdes, não tem dentes pontiagudos, nem olhos vermelhos, mas estão cobertos pelo verniz traiçoeiro de uma vida normal.
Quando me deparo com toda essa imundície, menino de nome bonito, penso erroneamente que escapastes menos contaminado dessa podridão toda, pois ainda eras ingênuo.
Mas então me dou conta de que essa fuga solitária e dolorida não deveria ter sido tua.
Mas desses que te fizeram partir.

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