terça-feira, 15 de abril de 2014
Liberdade existe?
Esses dias conversei com uma amiga e saí mais ou menos demolida da conversa.
O motivo? Ela me fez enxergar o quanto eu sou aprisionada. Não vou entrar na minha questão e no meu tipo de prisão, mas levantar um assunto muito difícil, ao meu ver, de ser definido: o que é realmente ser livre?
Ter independência financeira? Emocional? Física?
Pago as minhas contas, sou livre.
Não dependo de mais ninguém para ser feliz, sou livre.
Não me drogo, não fumo, não bebo, sou livre.
Não estou atrás das grades, sou livre.
Para mim, o ser realmente livre é aquele que vive longe de qualquer tipo de convenção.
Aquele ser poético, filosófico que não vê nos estudos, na carreira, no casamento, nas amizades um fim, mas uma razão para chegar o mais próximo possível da felicidade.
E a felicidade é algo ainda mais difícil de ser definido do que a liberdade.
Se não formos esse ser quase etéreo, se nos submetermos - por menor que seja a submissão, até ocultar os nossos segredos por medo da não aceitação - já não somos livres.
A sociedade não aceita muitas coisas: falta de dinheiro, excesso de peso, infidelidade, vícios, homossexualismo, pilantragem (na teoria, claro) e só seríamos realmente livres se nos lixássemos para a sociedade, certo? Só que isso não existe.
Barganhamos o tempo inteiro no intuito de nos sentirmos confortáveis nessa passagem pelo mundo. Nessa afirmação de sermos humanos no meio de tantos humanos.
E conforto é algo também difícil de ser definido.
Muitos se sentem em casa enfrentando as marolas em um barco (eu fujo, sem deixar rastros), outros adormecem feito bebês em uma viagem longa de avião. Vários preferem o amor, outros o dinheiro, tantos as conquistas, os prêmios, o status. Alguns, deitar em uma grama verde. Transar com amor, transar pagando, transar sem compromisso. E tudo, absolutamente tudo tem perdas e ganhos.
E nessa bola viva de sentimentos, percepções, satisfações e deveres, o mais livre é o que segue com mais fidelidade o roteiro que escreveu para si. Aquele que não é todo flores, nem todo aridez, nem todo pobreza, nem todo riqueza. Mas uma história com a nossa cara.
Mesmo que ela não seja a cara de mais ninguém.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário