quarta-feira, 5 de março de 2014

Sick


Às vezes, certas dores inexplicáveis incham dentro da gente feito uma intoxicação alimentar.
Começa aos poucos.
Um enjoo suave, uma leve dor de cabeça, uma certa indisposição.
Mas como a gente não quer parar o que está fazendo nem a vida que vem em ondas prontas para serem surfadas, vamos levando.
Até que a alma incha como uma barriga doente.
Mas não sabemos o que fazer com todo aquele inchaço, desconforto.
Talvez deitar um pouco.
Respirar direito.
Não dá para ser covarde nesse mundo onde quem não é valente como super herói, não sobrevive.
Quem sabe um sal de frutas possa resolver a situação?
Mas não resolve.

E dói.
Dói demais essa coisa que todo mudo diz que é besteira. 
Então, depois de termos sido experts na arte de não regurgitar, eis que o que nos fez mal vem.
Primeiro devagar, com medo de ser algo com falta de motivos.
Mas nem sempre os motivos precisam ser imensos para que uma bactéria microscópica se instale no nosso organismo.
E nos cause uma vontade louca de repousar.
De toda essa atividade do nosso corpo.
E, sim.
Queremos urrar de dor, vomitar essas coisinhas pequenas com espalhafato.
E  parem vocês os alegres de plantão, os otimistas de carteirinha, os que minimizam tudo que vem dos outros ou os aumentam também, conforme o seu bel prazer.
Cada um tem o direito de ser feliz ou sofrer com coisas inexplicáveis para quem as vê.
Afinal, o copo é nosso.
E a tempestade também.
E se vocês não são capazes de compreender ou ajudar.
Não queiram julgar.

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