sexta-feira, 26 de julho de 2013

Para quem Acredita em Milagres


A corrida, nos horários mais mansos do dia me faz um bem enorme.
Ainda mais quando o sol aquece o meu corpo.
Olho para ele e agradeço, mesmo ele tendo deixado uma cicatriz profunda na minha pele.
Mas não sou de guardar ressentimentos.
O trajeto é feito filme mudo ou muitas vezes falado, onde as cenas passam na velocidade certa pera serem poéticas e para ficarem guardadas na retina e na alma.
O velhinho coça as costas da esposa que expõe  a pele branquinha e o sutiã antigo, ao calor do meio dia.
Os trabalhadores em prosa, descascando suas bergamotas e sorrindo para uma vida nem sempre fácil, mas com gosto de esperança.
O cão de pêlo curto que se deita colado ao peludo e o faz de coberta.
A ilusão em forma de vasos com gerânios, de cercas vivas bem aparadas, de sininhos brilhantes na porta de entrada.
Os carros descansando os seus donos, depois de tê-los trazido para o almoço em família.
A paz da vida, quando nós nos damos a chance de escutá-la.
De saboreá-la com goles pequenos, daqueles que seguramos na boca antes de fazermos eles serem parte de nós mesmos.
A corrida, nos horários mais mansos do dia me faz um bem enorme.
É quando viajo nos meus pensamentos.
Peço respostas, faço perguntas, escuto, agradeço.
Então, vejo algo pequenino e reluzente na minha perna.
Paro e olho para baixo.
Lá está ela, dourada e linda, cheia de pintinhas pretas.
Minha companhia por um quilômetro.
Entendo o significado.
Para quem acredita na sorte das Joaninhas, recebi um pequeno aviso.
Nada enorme, nada gritado.
Apenas um sinal para quem acredita em milagres.

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