segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Tudo vai ficar bem.
Por que deixar a raiva acompanhar o nascimento do sol?
Depois dela ter estado em companhia da lua?
Por que?
Mesmo sabendo que toda a cura se dá pelo amor?
Essas nossas mãos também impuras, essas que enrijecem o dedo em acusação para nós justa.
Nesse mundo de restauração.
Nesse universo de amor imenso que não combina com facas, nem farpas, nem vingança de dentes que perseguem e matam.
Como esperarmos que curem as nossas feridas se as arranhamos e as sangramos na repetição de tentar saciar uma sede ingrata?
Somos frases de efeito e vítimas, mesmo sendo algozes de nossas vidas.
Na tentativa de sermos únicos mesmo sendo feitos de todos.
E enquanto tivermos razão, vamos ser cegos para a luz.
Aquela que ilumina a costa íngreme que se escala.
Aquela que desnuda o sofrimento travestido de mágoa.
Aquela que nos faz sermos nada.
Nenhuma palavra imposta.
Nenhum julgamento transfigurado de justiça.
Nem ódio na instauração da paz.
Por que deixar a raiva acompanhar o nascimento do sol?
Não somos donos das florestas, nem das marés, nem de nada que caminha e habita a terra.
Exceto donos do que queremos para nós.
E queremos tudo à que viemos.
Mesmo esse tudo tendo sido transfigurado pela dor.
Por mais suave ou dura que ela seja.
Mas não forte o suficiente para perdermos a batalha pelo bom.
Ele que sempre nasce com o sol.
Tendo estado em companhia da lua.
Por mais que a maldade tente nos fazer esquecer essa luta.
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