terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amar não é fácil


"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".
Essa frase é de autoria do Dr. Dráuzio Varella e abre o texto "Para que serve uma relação".
O Doutor enumera várias ações que conotam uma relação feliz e não uma relação imposta por fatores sociais, econômicos ou demais.
Adorei o texto que vale muito ser lido e me permito acrescentar muitas outras coisas que considero imprescindíveis para que uma relação não aderne, além do sexo sem amarras, do respeito e do companheirismo que são citados no texto.
Estar casado e feliz é um exercício diário e puxado.
Não concordo com o que muitos dizem que morar junto arrefece a paixão e destrói a ilusão, não acredito que o sexo fique sem graça ou quase inexistente e que casas separadas são a garantia da felicidade do casal.
Quem assim pensa, tem preguiça de exercitar a intimidade saudável e não luta para que ela não se transforme em monotonia, frustração, competitividade ou ressentimento.
Tornar uma vida mais fácil é faze-la mais feliz e portanto mais fácil de vivê-la e a felicidade não é e nunca será sinônimo de facilidade, mas de conquista.
Fazer o outro mais feliz do que seria sozinho, fazer com que ele ou ela anseie a volta do trabalho sabendo que será ouvidos e boca, será amparo e consolo para a rigidez do dia a dia.
A admiração mútua é o alicerce que sustenta uma relação feliz.
E admiramos quem tenta nos ler, mesmo quando a leitura não é fácil.
Admiramos quem não se acomoda à união e faz dela uma situação garantida, um fato consumado, como um objeto que compramos e deixamos guardado a espera de uso.
Pessoas felizes procuram no outro aquilo que lhes falta, mas com a consciência desta procura, sabendo exatamente o papel que se quer representar, não por imposição ou fraqueza, mas por opção na construção do perfil dos dois.
Um pode ser mais dependente emocionalmente e o outro financeiramente.
Um pode ser o que mais cede, o outro o que mais exige, não faz mal, desde que a fórmula não tenha sido criada por um apenas, mas que seja uma criação de ambos e que ela tenha sempre na sua composição a alegria e a satisfação de estar junto.
Fórmulas prontas de felicidade não existem para nada.
Cada um tem a sua e ao se relacionar, ambos devem estar dispostos a compreender os ingredientes da felicidade particular daquele que escolheu para dividir a vida e esta disposição deve permanecer para sempre ou o melhor é cada um cuidar de si.
Cultivar o amor não é ver um filme de terror quando se detesta, mas procurar um filme do agrado dos dois já que ambos gostam de cinema.
É conceder as gentilezas que são importantes para aquele que escolhemos para estar ao nosso lado e se vamos querer continuar dividindo a vida que seja para nos fazermos felizes, pois já existe muita infelicidade neste mundo e não é aconselhável plantá-la dentro da nossa casa.
Ela gosta de flores? Dê.
Ele gosta que lhe prepare um pratinho gostoso, feito com carinho? Faça.
Desde que não doa, pois se doer, a concessão amorosa vira mágoa.
No início de todo o relacionamento sempre procuramos prestar atenção àquilo que agrada o outro e o fazemos para nos tornarmos especiais e amados.
São esse detalhes que devemos preservar quando estamos em uma relação estável e se perguntar todos os dias, "o que eu fui e fiz para ele/ela me amar"?
Porque não amamos os defeitos, amamos as qualidades e os defeitos são parte do pacote, portanto temos que tolerar, assim como toleram os nossos.
O sexo, a paixão, o companheirismo e a aventura de viver em par mudam de formato, mas nunca de teor e se nessa mudança o brilho se apagar, então é hora de repensar.
Estar junto jamais deve ser sinônimo de dividir apenas um espaço.
Se não tivermos mais vontade de ser ou fazer aquilo que despertou no outro a vontade de estar conosco, que tenhamos a coragem de dar adeus e sermos felizes sozinhos com todas as outras possibilidades de não ser feliz a dois.
Amar não é apenas tornar a vida do outro mais fácil.
É fazer ela ser muito mais agradável.

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