quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Obrigada à Você


Eu tenho tanto a agradecer.
Quando vejo a lua.
Quando, de pés descalços, piso a calçada da minha rua.
Em um verão de perfumes.
Nessa rua que tenho casa e abrigo nas noites frias de inverno.
Uma porta que se fecha e se abre e um caminho de flores que rego.
Tenho tanto à agradecer.
Por não ser estatística em batalhas, em doenças do corpo e dores incuráveis da alma.
Tenho rugas de sorrisos, outras tantas de prantos que deixaram as suas marcas, apesar de já terem extinguido as suas lágrimas.
Minha pele tem manchas e um viço que cada dia se afasta, provas de um corpo que esteve banhado de sol e pôde ter sua pele exposta.
Não passo em branco, ah não, imaculada, intocável e etérea.
Passo riscando letras, borrando páginas, usando fórmulas para aprender a pisar com leveza, mesmo usando as botas mais pesadas.
Troco de roupa, de vontades, de gostos, de pele, de cabelos, de idade.
E perdendo sempre, sei tudo que ganho.
Eu tenho tanto à agradecer.
No escutar diário do ritmo que, noite e dia, faz o meu coração incansável.
Bater. 

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