domingo, 14 de dezembro de 2014
O tempo de tudo acontecer
Exatamente há um ano tive uma lesão no pé chamada fascite plantar. Atingiu apenas o canto direito do meu calcanhar esquerdo.
Viciada em exercícios, tive que conviver com a consequência do exagero e com uma dor de ver estrelas, principalmente ao levantar da cama, de manhã.
Remédio, muito gelo, alongamentos e fisioterapia.
Ah, e interrupção de qualquer exercício de impacto. Logo eu, a rainha do Bate Pé no Chão, louca por corrida e tênis.
Como não me entrego às dificuldades, fui pra bike, pro transport, mantive a musculação e descobri que nada é insubstituível nesse mundo.
Aos poucos, fui conversando com o meu corpo e entendendo o que a dor quis me dizer.
Aos poucos, voltei a correr e, um dia (um pouco antes do que eu deveria), voltei à jogar.
No meio da partida meu pé gritou, furioso por eu colocar as prioridades da minha mente acima das do meu corpo e, ressentida, deixei a raquete pegar todo o pó que merecia.
O tênis, esporte que foi o meu primeiro esporte, me traiu.
Recuperei novamente a saúde do meu pé, voltei à correr, mas nunca mais joguei, mesmo curada.
Por que? Porque o tênis foi desligado de dentro de mim.
Fiquei com medo, fiquei frustrada, fiquei triste e o tempo dele existir foi tirar umas férias (curtas ou eternas) em um lugar qualquer.
As pessoas me cobravam, diziam "que pena, uma jogadora tão boa", me convidavam, eu declinava.
Eu sabia que não sentiria mais dor, mas apenas não queria mais jogar.
Assim como sabemos que podemos voltar para coisas e pessoas que, de um modo ou de outro, nos provocaram dor, mas simplesmente não podemos mais.
Não por enquanto.
Passamos a olhar com estranheza aquele momento que fomos aquilo que não queremos mais ser.
E mesmo ainda tendo amor, sabemos que se nos forçarmos, seja por imposição nossa ou de outros, podemos até não nos machucar, mas não vamos dar e receber o melhor daquilo que ainda não está no tempo de acontecer.
O nosso tempo.
Hoje, depois de uma noite de sonhos com raquetes e saques, tive vontade de jogar.
Muita, irrefreável.
Fui.
Joguei mal, suei muito, ri e fiquei brava com os meus erros.
Mas a dor não deu sinal de um dia ter, sequer, existido.
Estou pronta de novo.
Sempre estamos prontos para retroceder, perdoar, recomeçar, terminar, iniciar.
Mas é apenas o nosso tempo que vai dizer.
O tempo de tudo acontecer.
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Lindo e verdadeiro! Beijo
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