sábado, 6 de dezembro de 2014

Ando Mudando Ultimamente


A mudança de tudo que existe, principalmente de sentimentos, é uma das coisas, ao meu ver, mais fascinantes que existe.
A vida é muito Louca Varrida para que a gente não se transmute.
Afinal, fomos aquelas coisinhas rosadas e medonhas que saíram de um outro corpo, feito Aliens, tão puros quanto bebês focas.
Depois, se empunharmos armas e tirarmos vidas, se cuspirmos no seio que nos alimentou ou nos tornarmos tão rosados e medonhos, mas não da mesma forma, tudo isso deve-se à mudança, essa palavrinha fantástica que pode ser tão maravilhosa quanto maléfica.
Darwin já defendia essa coisa toda que evoluí espécies, mas que adora trabalhar com a sua melhor aliada.
A dor.
Só se muda quando algum calo começa a apertar no sapato.
Ou quando tudo o que nos cerca modifica e temos ou queremos fazer parte desse ato contínuo de existir com nuances e não com o absoluto de ser sempre igual e estático.
Até porque não somos iguais nunca, a partir do momento que temos o nosso traseiro nu exposto ao mundo. 
Pois bem, nesse decorrer de muitas décadas, mudei várias vezes.
E o mais bonito é que só me dei conta da mudança quando espiei o passado e me estranhei, farejando um cheiro que se parecia muito comigo, com alguém que não sou agora.
Precisava tirar férias em lugares quase selvagens para poder, da janela do meu quarto, ver a brisa sacudir as copas das árvores.
Tenho as copas das árvores dançando para mim em cada abrir de janela da minha casa.
Minhas férias agora são outras.
Meus desejos também.
Tenho outras necessidades, outros gostos, outro corpo, outros cabelos.
O meu mundo mudou e não sou a mesma faz algumas horas.
E não sei o que serei nas próximas.
Depende do calo, do sapato, de tudo que me aperta e modela.
Depende da impetuosidade do formão que ajusta as minhas asperezas.
Essas cascas todas que calejaram nossas almas.
Almas.
Elas mesmas.
A única coisa, nessa vida, que não muda.

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