quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Cresça


Adoro viver o meu lado criança, colecionando bonecas, rolando no chão com meus bichos, vendo filme de medo, dormindo até mais tarde, esperando ansiosa por um presente, chorando e querendo consolo.
Porém, o lado criança, que ando vendo muito ultimamente, que se recusa à ter obrigações chatas, que se frustra com contratempos e que se enfurece com as contrariedades, desse passo longe.
Me recuso aceitar quem enxerga a felicidade como um corda retesada, imaculada e reta, pois a felicidade está mais para nuvens de uma poeira brilhante que vivem oscilando à nossa volta, subindo, descendo, onde, vez ou outra, é preciso ficar na ponta dos pés para alcançá-las e poder aspirar o seu cheiro doce.
Adultos podem e devem brincar, mas têm a obrigação de saber que a vida não é brincadeira.
Não tolero que o bom humor seja uma consequência do Tudo Dando Certo, muito pelo contrário.
O bom humor é uma resposta certa à questões dolorosas, pois só ele faz com que seja tolerável os anos letivos nessa escola difícil e dura.
É muito fácil ser o Camarada Sorriso quando se está de férias em Cancún, mandando ver na tequila, no sol, nas compras e no corpo à corpo com o parceiro de viagem.
Muito fácil, mas nada por aqui é fácil.
As flores podem se dar ao luxo de viver conforme as estações, nós não. A perenidade da nossa força não pode depender das amenidades do clima.
Gente baixo astral, pessimista, agourenta, briguenta e amarga, me enfurece.
Mimados, então, passo reto.
Deus sabe o que passei nessa vida e eu sei que eu poderia ter sido muito pior do que sou, apesar de saber que também poderia me esforçar mais para melhorar tudo que ainda tenho em dívida.
Mas acredito no melhor.
Nos piores momentos.
Não sou o Rambo, mas tento evitar, com um sorriso, as explosões no meu pé.
Os ventos fortes tremulam as minhas águas.
Mas não deixo que o meu oceano interior seque.
Tenho a chuva, tenho o sol, as calmarias, a brisa.
Não é um vento que vai me esvaziar.

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