segunda-feira, 5 de maio de 2014
É preciso abrir as cortinas
Mesmo sendo um pouco infantil ( o bem e o mal) nas definições do que me cerca, jamais me fecho às mudanças e sempre fico aberta à uma segunda, terceira, quarta opinião em tudo, pois sei que dependendo do ângulo, um cenário pode nos proporcionar diferentes visões.
Não foi diferente com o filme Shame.
Estado de espírito, questões externas, humor, hormônios, podem influenciar o nosso julgamento em absolutamente tudo com que entramos em contato.
Assisti ao filme pela primeira vez em uma época onde a minha tolerância ao ousado estava baixa, portanto o considerei vulgar e sem sentido. Fechei as cortinas da minha sala com as cenas tórridas, pois não conseguia captar o principal: a essência psicológica da trama.
E a trama profundamente psicológica me faz entrar em outro assunto: tudo o que fazemos com o próprio corpo para aliviar a pressão angustiante da mente.
Como cada compra, transa, comida, bebida, jogo, exercício, podem pular facilmente do patamar da normalidade e se tornar uma doença obsessiva e triste.
O protagonista era viciado em sexo. Um sexo vazio, egoísta, sem entrega.
Quando havia paixão ele não funcionava.
E precisava de mais para preencher esse vazio difícil de reconhecer. O do espírito.
A irmã, carente, negligenciada pelo mundo, tentava utilizar as mesmas armas do irmão para conseguir respirar em um presente cheio de um passado doente e devedor de normalidade. Mas ao contrário do macho predador, ela era a fêmea fácil de ser abatida.
E os dois odiavam esse elo que os unia e comprovava toda a fragilidade de ambos, travestida em uma fúria louca por vida.
Terminei o filme em lágrimas.
Porque percebi que somos ferozes em nossos julgamentos rápidos.
Desaconselhei o filme para diversas pessoas e depois de o assistir pela segunda vez, ele me fez uma pessoa melhor ao entender que comportamentos duvidosos são, muitas vezes, fraquezas.
E que é preciso ver até o final, rever, abrir o coração, as cortinas.
A mente.
Não devemos sentir vergonha - Shame?- ao ver cenas cruas, pessoas despidas de suas armaduras.
Ao nos olharmos no espelho e vermos o que se esconde atrás de todo gesto que nos machuca, mesmo disfarçado de prazer.
Só assim, poderemos entender o enredo da nossa própria vida.
Com as cortinas sempre escancaradas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário