terça-feira, 27 de maio de 2014
Alegria é Tudo
Alegria é tudo.
Sim, tudo, pois quem é alegre espanta as doenças, atraí coisas boas, faz feliz por tabela os amigos, os familiares, os vizinhos.
Convivo com dois seres que considero os mais alegres (genuinamente) que conheço. A minha cadela Frida e a minha faxineira, amiga e mãe há trinta anos, a Laurinha.
A Laurinha é uma mulata miúda que veio trabalhar na casa dos meus pais como empregada quando eu tinha dezessete anos.
Perdeu a mãe aos doze, a irmã (e melhor amiga) aos vinte e poucos. Começou cedo na labuta, teve um aborto espontâneo, não conseguiu dinheiro suficiente para manter os dentes sadios, mas nunca, nunca deixou de sorrir.
Até hoje.
Nas quartas quando ela chega, às oito da manhã (toda arrumada, de cabelos bem cortados, o mesmo corpo firme e atlético, batom na boca, salto alto), a minha casa vira festa. É o dia da semana que mais dou risadas, pois ela sempre tem algo engraçado para contar. Viúva, namora um homem vinte anos mais novo (alegria também é afrodisíaco), sustenta a casa e o filho muito bem, obrigada.
Adora beber e bebe bem, sempre tem cerveja na geladeira esperando por ela. Ama festas e tem um fôlego de criança.
Confesso que eu queria ser como ela. Nenhum motivo extra para sorrir tanto, mas sorrisos extra grandes o tempo inteiro.
Vivo dizendo: Laurinha, me dá a fórmula? A resposta? Mais gargalhadas e a sentença:
"Não ganho nada esquentando a cabeça."
Aliás, são dela muitas das célebres frases que uso como mantra e lema de vida.
Vamos à Frida.
Dos seis, a mais viva. A cauda sempre abanando. A energia que fabrica energia.
Nunca em toda a minha vida pensei que salvar um cãozinho bebê da morte, nas ruas de uma praia qualquer, fosse me recompensar tanto.
A Frida vibra.
Ela aquece o meu coração com as suas estripulias, as palhaçadas, a disposição para agradar sempre.
Os outros até se ressentem com tamanha disposição para a vida. Azar o deles.
Com o passar dos anos procuro cada vez mais as Laurinhas e as Fridas.
Não consigo tolerar os ranzinzas, pessimistas, raivosos, histéricos, intolerantes, narcisistas, neuróticos.
Aprendi muito com quem vê a vida com os óculos coloridos.
Pois a vida é difícil e fácil.
Para todos.
Mas mais leve para quem vê a alegria que se esconde em tantos cantos difíceis de se achar.
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