segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por acaso aqui se pode fumar?


E para os dias nublados, um café. 
Com um doce à frente, derramando afagos e os olhos da outra que são ouvidos, na hora que a minha boca vira tempestade feito o dia feio lá fora.
E quando o sangue não estanca.
Daquela ferida feita por aquele que se deu o Mundo.
O silêncio cheio de barulho, de tanta prece dita na cabeça, vira companhia, vira uma fé infinita de que o amor vence tudo e então vou secar as lágrimas para não nublar a visão do futuro.
E no turbilhão de tantas coisas perdidas ou não achadas, nessa vastidão de desentendimentos humanos, me fazer um pouco surda, cega ou muda esquenta as pernas como coberta que separa o corpo do frio e dá aquela trégua na necessidade urgente.
Da gente.
De se preocupar e morrer de sede sem ter ainda acabado a água.
E para aqueles vazios cheios de necessidades absurdas, um copo cheio de vinho para amolecer um pouco a barreira dura que muda a nossa forma macia e a faz ficar congelada e difícil de tocar.
E um pouco daquele tudo que nos faz continuar mesmo quando a gente queria um pouco de descanso daquela nossa velha cara no espelho nos perguntando "o que você quer, afinal?".
E mais um café.
Ou um copo de vinho.
E muita fé.
Por favor.
Pois ainda tenho tempo.
Mas preciso de um intervalo.
Por acaso aqui se pode fumar?


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