quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Meias Perdidas


Já deixei tantas meias perdidas de seus pares.
Se acumulando em uma bacia, prontas para serem dobradas juntas em alguma dia qualquer.
Como aquelas palavras que poderiam ter sido ditas, mas ficaram com preguiça de se tornarem voz, empilhadas em uma canto qualquer de futuro.
E o desconforto de se olhar para aquelas meias, abraços, pedidos de desculpas, declarações de amor, verdades duras que por falta de tempo, paciência, coragem, fazem os nossos olhos (coração) não estacionarem muito tempo, pois não se pode perder tempo e ainda temos muito tempo depois.
E já não vale muito à pena ser assim tão sincero, pois a sinceridade é pobre e não abre portas.
E podemos morrer de culpa, de vergonha e de medo por termos sido tão idiotas de procurar uma simples meia, quando é tão fácil comprar um novo par.
Custa tão pouco.
Joguemos fora aqueles pés perdidos e a vontade de remexer em gavetas à procura de coisas tão perdidas quanto valiosas, mas que se fazem inúteis nesses dias de coisas novas, brilhantes, perfeitas e bonitas.
Deixa pra lá.
Remexer no que nos falta pode fazer com que encontremos outras coisas perdidas há anos, todas atrás de uma máquina de lavar.

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