sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tudo de Novo

Eu sabia que a danada da expectativa iria matar um pouquinho os meus sonhos.
Se nessa espera ninguém aparecesse, ninguém descesse das portas de algum trem.
Nenhuma cortina revelasse a surpresa que irrigaria os meus sorrisos.
Mas mesmo sabendo que eu poderia encontrar a linda caixa de presentes vazia, foi bom ter o prenúncio do gosto doce na boca.
Depois, feito criança pequena, empaquei no beiço virado para baixo, nas lágrimas que foram mais água do que sentimentos. 
Jurei que jamais esperaria novamente. Jamais acreditaria na minha capacidade de acreditar. 
E chorei mais um pouco, naquele choro bobo de quem tem tudo, mas, puxa, quer mais um pouco.
E o meu sorriso fez uma lágrima ou outra escorregar para o lado, despencar das alturas e sumir no chão.
E a expectativa veio se insinuar como se nada tivesse acontecido! 
Os meus sonhos acordaram de novo.
E depois de terem quase morrido, se endireitaram e levantaram mais fortes.

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