segunda-feira, 1 de abril de 2013
Minha Relação Complicada
Sabe, esse nosso país é complicado.
Morando nele, me sinto como aquelas esposas que tinham os seus futuros traçados pelas tradições familiares e que caíram nas mãos erradas.
Então, morro de inveja quando vejo o "marido" das outras, tão mais evoluído, justo, acolhedor, seguro, educado, pontual.
Me rasgo de indignação.
Tenho ataques furiosos de silêncio quando me deparo com tantas e tantas mazelas, desde as mais singelas - como essas ciclovias mal planejadas - até a precariedade da educação, saúde e todo o resto de uma lista imensa de faltas.
Porém, de repente, vejo um vídeo no You Tube onde lixeiros lá do interior de São Paulo, dançam o "Passinho do Volante", pendurados naquela caçamba imunda, requebrando com o melhor ginga do mundo e meu coração amolece.
Minha lotação encosta para embarcar duas índias bonitas e fortes, carregando um bebê tão rechonchudo quanto um pão de milho e fico feliz pela nossa variedade de raças, culturas, nuances. E, não, elas não são estrangeiras, são nativas da nossa terra e trançam palha em cada esquina aqui do bairro Tristeza.
Me revolto com o volume das vozes na praça de alimentação do Barra, mas já estou de papo com a grávida que, como eu, abana e morre de rir com as caretas do menininho tímido e curioso.
E me sinto agradecida pelo "homem" que me acolhe com seu colorido invejável, seus cheiros, calor, alegria, simpatia, sua vontade de servir e ajudar.
Até ele me decepcionar.
Então, estarei pronta pra lhe odiar.
De novo.
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