terça-feira, 30 de abril de 2013
Adeus, verão.
Eu não deveria tanto adorar o sol, pois sou sujeita às suas mazelas como boa alemoa que sou.
Minhas manchas, meu pequeno câncer de pele -extirpado e devidamente marcado no peito - meus vincos e ruguinhas ao redor dos olhos me avisam a toda hora que esses raios que tanto adoro, que me lambem, me agradam, me aquecem, são amantes traiçoeiros, pois retiram um pouco de viço a cada encontro de nós dois.
Porém, como o amor cega, choro sempre que vejo o verão se despedir, aos poucos, da minha vida.
Amo os dias ensolarados. Gosto de ferver cada gotinha de suor que emana da minha pele em uma corrida no sol à pino.
O calor me abraça, me aconchega, sussurra seus ventos mornos nos meus cabelos e seus aromas doces de promessas que nunca se esgotam.
É do verão a esperança, as calçadas apinhadas de cadeirinhas, chopes e sorrisos.
É dele o corpo quase despido, as penugens douradas, os pés que se descobrem descalços, os cabelos molhados, as cores reforçadas.
A cada folhinha do outono eu me preparo para a saudade.
No inverno a minha alma hiberna. O meu corpo pede para ser passado à ferro, pois os meus ossos congelam.
Não vejo poesia na chuva, não me contento com os pés gelados e me entristeço ao presenciar o meu lindo jardim desfalecer em pétalas e folhas que murcham.
Fico mais melancólica do que sou e busco a alegria naquilo que me faz pulsar e que não deixa de ser meu verão particular.
Uma lareira.
Um fogo.
Meu amado calor.
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