sexta-feira, 26 de abril de 2013

Água


Me comovo  quando vejo alguém, sentado, sozinho, olhando para um cenário de águas.
A visão daquela silhueta, de costas, parada como se o mundo estivesse estacionado, contemplando a fluidez que acalma, agarra o meu coração com força.
Seja rio no seu ritmo que dormita, seja mar agitado que briga em ondas, resfolegando gotas.
Alguém espera encontrar respostas em um mistério maior do que que a sua própria vida.
Em cada marola, em cada onda, existe uma conversa silenciosa, perguntas feitas na alma, respostas sussurradas no vento, na quebra, na espuma que se desmancha e chia.
Acredito na bondade das almas que procuram as águas como companhia.
Quem se senta para ouvir as muitas vozes do Universo não tem planos de maldade, pois esses requerem visões mais turbulentas, conversas raivosas, atitudes violentas.
E desejo que essas pessoas  com suas faces viradas para o lado vazio de pessoas, encontrem a paz que procuram. A mão que lhes acaricie os cabelos e lhes diga que nem sempre a vida nos dá todas as respostas, mas nos presenteia com essas águas que nos recebem sempre que queremos.
Com a sua conversa que acalma.

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