terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Troféu


O que faz você se orgulhar de si mesmo?
Que tipo de fotos você tem satisfação de emoldurar, expôr, para que ou outros compartilhem da sua felicidade?
Temos os nossos troféus e não vejo problema em querermos dividir as nossas conquistas, alegrias, obstáculos transpostos. Temos o nosso lado terreno marcado na alma, pois crescemos parte de um todo difícil de extirpar quando o mesmo é responsável por uma boa quota de prazer em nossas vidas.
Ter paz, saúde, família, amor, amigos, caráter são requisitos incondicionais à nossa felicidade, mas sucesso profissional, dinheiro para poder pagar as contas e se divertir, conforto no lar, um automóvel em bom estado para poder se locomover também são parte do pacote, pois uma vez vivos neste mundo, certas adequações são necessárias para existirmos com plenitude.
O que me preocupa e me assusta são as pessoas que invertem esta ordem, que trocam a cronologia destas páginas no livro da existência.Que são pautadas por conquistas que têm tamanho, cor e valor.
Já vi tanto. Vi mulheres deixarem bebês que ainda mamavam no peito entregues às babás e às mamadeiras para poderem fazer uma viagem ao Caribe com seus maridos. Já vi cesáreas serem marcadas antes da previsão do parto, para não atrapalhar o reveillon em Punta. Já vi pais darem presentes astronômicos que substituíram a vontade de um abraço. Já vi tantos cenários de exibicionismo velado que seria mais prático encher a dentadura de dentes de platina.
Quando temos mais orgulho dos talheres de prata do que da comida gostosa que  conseguimos ter à mesa, é sinal de que as coisas estão um pouco equivocadas.
Ter é bom, querer mostrar é uma vontade quase infantil de que conseguimos algo que alimenta  nossas necessidades supérfluas de aceitação. Faz parte. Agora, ostentar, dobrar o pescoço carregado de jóias preciosas, exibir fotografias de salas, jardins, sofás e casas, com legendas fictícias, em intenções mascaradas é bobo, perceptível e triste.
Pois estaremos todos nós, passando desta para uma melhor, tão pelados como viemos ao mundo.
E teremos apenas lembranças para carregar.

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