quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Insônia
Os sons começam a aumentar gradativamente e piados, latidos e passos noturnos tornam-se amplificados. O nosso colchão, antes tão sedutor e convidativo, não agrada mais ao nosso corpo e passamos a nos virar que nem loucos de um lado para o outro.
É a insônia.
Esse monstro noturno que nos deixa à merce de nossos pensamentos mais incômodos.
Na solidão da noite devem andar soltos os duendes feios da preocupação, loucos para invadir algum cérebro insone e atormentar os corações.
Por que eu deixei de fazer aquilo, por que eu fiz isso? O armário da cozinha está com vazamento, eu não devia ter falado, eu devia ter falado. Eu perdi, gastei, errei, faltei.
A gente tenta esmagar os pensamentos sombrios, mas eles vem como marola, se formam onda e arrastam feito Tsunami nossas boas lembranças. Porque mente com boas lembranças é serena e adormece como criança.
Muitas insônias, porém, são eufóricas, cheias de planos, metas, realizações. São tantas coisas maravilhosas para serem feitas que os olhos se mantém abertos na expectativa e excitação do amanhecer que nunca chega. Que noite lenta essa que interrompe o nosso sucesso! Por que toda essa gente perde tanto tempo dormindo quando tanta coisa poderia ser feita?
Penso que a insônia possa ser bipolar, mas mesmo eufórica ou deprimida não acho ela nada simpática.
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