quinta-feira, 5 de julho de 2012

Salvação



"Mãe, eu te amo...eu adoro dizer isso e nunca quero deixar de dizer...a mana não te diz isso?"
"Dizia...dizia muito, igual a ti, quando tinha a tua idade."
"Mas eu nunca quero deixar de ter vontade de te dizer."


Fico miúda, quase ínfima perto do calor denso que cobre meu corpo. Respiro essas palavras e me dasafogo do mar de obviedades e valores mundanos que me cercam. Pode não parecer, criança, mas és tábua e ilha que me socorre nessa vastidão de oceano. Não posso pedir à vocês, meninas que cresceram, que me salvem pelo resto de suas vidas, pois já fui salva, quando percebi que estar junto foi o que transformou vocês em Pessoas. Fui salva quando entendi que cada colo que não protelei, cada cuidado que não deleguei, cada colher de sopa que eu mesma dei, foi o que fez diferença para as nossas vidas. Deixei de existir para que vocês existissem e isso não fez de mim uma heroína, mas uma mãe. Não, não me dói mais ouvir "eu te amo" de duas bocas, pois construí o que esperava construir quando decidi tê-las dentro de mim. Sei que, um dia, tu também poderás esquecer do quão foi importante para nós essas palavras, mas saibas que não mais dizê-las, não me deixará magoada. Terás aos teus para, neles, encontrar o teu próprio calor e será deles toda essa salvação que já foi minha e que entrego como minha maior dádiva.

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