terça-feira, 17 de julho de 2012

Fantasia

Além da imensa fé que tenho, minha vida foi marcada pela fantasia. Fui criança que sonhava colorido e surreal, tinha no meu próprio mundo, um refúgio secreto. Quando as coisas ficavam tristes, minha imaginação tratava de criar aquela mão que se estenderia, suave e convidativa, me resgatando de uma realidade que eu não queria enxergar. A mão era de mãe, de pai, de irmã, daqueles que, naquele momento da minha existência, poderiam ser os salvadores em uma vida - muitas vezes hostil - de escola, colegas, professores, exigências, disciplina rígida. Passei de menina a mulher, mas dentro de mim, ainda se esconde a fantasia secreta de poder ser salva da bruxa malvada que pode vir na forma de injustiça, de solidão, de desamparo, de incompreensão. A criança que vive em mim é uma criança com esperança de que tudo pode dar certo, afinal, pois as mãos ocultas estão estendidas, aguardando o momento de me erguer do chão. O adulto que sou, sabe que cada um desses heróis salvadores mora dentro de mim e que, no momento que eu estiver sendo erguida, vou reconhecer a mim mesma, segurando as minhas mãos.

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