terça-feira, 24 de julho de 2012
A Doença do Mundo
Recentemente, uma leitora estreante, viu sua primeira obra de ficção tornar-se Best-seller. O livro está atravessando o mundo e conquistando leitores de todas as línguas e credos. A história? Uma jovem virgem de 21 anos se apaixona por um milionário pervertido, quase trintão, e se debate entre aceitar as condições impostas pelo moço, para dar cotinuidade à relação, ou pular fora. As condições? Ser sua escrava sexual em uma relação sadomasoquista, com direito à chibatadas, algemas, mordaça, dentre outras modalidades - já que o magnata só aceita esta forma de amar. A obra pornô pop está sendo considerada um fenomêno e a autora, uma revelação literária.
Isso me entristece e assusta. Tento entender como um tema tão deprimente chega ao sucesso e a única conclusão que me permito aceitar é de que o mundo está doente, ou melhor, as pessoas estão doentes. Porque o mundo continua lindo, a lua mantém seu encanto, enchendo a noite de luz, as estações continuam nos presenteando, cada qual com suas dádivas. As flores mantém seu colorido, os golfinhos aindas surfam as ondas, o mar ainda desliza e banha a areia de espuma. São tantas e tantas imagens para se falar, tantas histórias de superação, de força, de beleza para se contar. Ainda resta tanto amor para ser recitado, tanta paixão pera ser cantada, tanta alegria para ser explorada. A maioria das pessoas tem vícios, segredos, culpas, mas estes, são elementos para serem elaborados dentro de nós, fazendo dos mesmos, pausas nos degraus que subimos - pausa para podermos refletir, aprender, consertar, melhorar. O pior de cada um de nós não deveria ser considerado arte, nem entreterimento, muito menos fenômeno, mas realidades dignas de aprimoramento, de conserto, de superação.
Não julgo quem gosta disso ou daquilo e cada um sabe o que faz dentro do seu próprio quarto, mas existe uma longa distância entre fugir da rotina sexual e banalizar, valorizar e promover o desatino. Quando a narração de uma fraqueza (ela por se submeter e ele por só saber amar assim) vira um sucesso, algo está errado.
O mundo, em toda a sua grandiosidade, merece pessoas que deixem legados, como Beethoven, Einstein, Thomas Edison. Merece escritores, pintores e escultores que busquem, através de suas obras, resgatar algo de bom dentro de nós ou nos fazer refletir, mudar. As pessoas, mais do que nunca, precisam se aproximar de todos os valores que elas perderam pelo caminho. O sadomasoquismo sempre existiu, assim como desvios mais graves, como a pedofilia. O problema é quando eles saem da condição de uma triste realidade e viram sucesso literário. O mundo anda doente. Espero que tenha cura.
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