sábado, 12 de maio de 2012
Três
Ouço o chamado e me encho de orgulho: "Mãe!". Tem tanta coisa nessa palavra que faz meu coração balançar. Para elas, apenas uma forma de me chamar, para mim a ignição de várias emoções mescladas, difundidas, confundidas, mas sempre bonitas. Algumas vezes, poucas, a urgência com que sou requisitada me deixa impaciente, mas quase sempre sorrio por fora e por dentro e pergunto a mim mesma: Sou eu quem chamam? Sou mãe, afinal? Como passei por tudo isso tão rápido, onde arranjei tamanha coragem para me motivar a gerar um outro ser humano? Como sobrevivi e mantive a lucidez diante das febres intensas, dos tombos sérios, dos pontos no rosto, do choro insistente e sem explicação? Como consegui, sozinha em casa, carregar, banhar, alimentar e cuidar de um serzinho frágil e indefeso? Como controlei o ímpeto de gritar por minha própria mãe e engoli o medo e o transformei em coragem? Sou eu esta heroína? Sim, sou eu. Somos nós. Somos nós com o maior desafio de todos. Com a vida pequena que nos é entregue nos braços para que zelemos por ela. Sou eu quem assiste à mutação linda e diária de meus bebês em jovens, de meus jovens em adultos. Pego uma antiga foto nas mãos e vejo uma quase criança com outra no colo. Não vejo o medo que eu sentia refletido nos meus olhos. Vejo determinação e alegria e aí entendo. Morri e renasci com o nascimento de minhas filhas. Morri única. Renasci três.
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