quinta-feira, 24 de maio de 2012
Anjos
Quando te vejo sujeita às falhas dos homens, sem nada poder fazer, pois és pequena, queria ser anjo para abrir minhas asas e te guardar em meu peito. Tua voz, que é apenas silêncio arredio, pulsa como grito nos meus ouvidos e percebo, nos teus diminutos gestos, a tua necessidade de ser salva. Quisera eu, carregar-te em meu colo, guardando-te em teu caminho, evitando os teus tombos. Quisera eu, poder punir teus agressores, te tornar invísivel aos teus inimigos, diminuir a tua dor de existir no mundo. Pois dói mais em mim ser testemunha muda do teu medo. Rasga minha alma em mil pedaços conhecer de longe o teu sofrimento e imaginar como a tua casa não é um lar. Não posso voar até ti e te livrar dos teus pesadelos, pois não sou anjo, mas posso me pôr de joelhos e pedir ao Meu Deus que te envie um exército deles para impedir o mal daquele que deveria te proteger, mas é quem macula a tua esperança de crescer.
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