terça-feira, 8 de maio de 2012

O Que Escolho

Um Agaporni de bico vermelho e penas coloridas enche o espaço com sua vozinha grasnada. As copas das árvores recortam e sublinham o céu azul de verde e, lá na pontinha do cipreste gigante, descansa uma águia de olhos atentos. O sol faz minha pele ficar com cheiro de terra mexida. Posso fazer um café cheiroso, espalhar no meu corpo um perfume, tomar um banho quente, ligar a música, se eu quiser. Posso levantar da cadeira e esticar os braços, pois os tenho. Tenho um corpo que posso pôr em movimento e fazer surgir de seus poros gotinhas salgadas de suor. Tenho uma infinidade de sabores para experimentar, de paisagens para ver, de coisas para sentir. O mundo me chega inteiro e me foi dada a chance de recebê-lo. Sou eu, quem escolhe como acolhê-lo nos braços. Pois, como filho, ele vem lindo e feio, fabuloso e imperfeito. Um mergulho no mar, um sono bom, um pão com manteiga, um sorriso são as pílulas mágicas que ingiro para continuar vivendo. Meus pensamentos navegam todos os oceanos, mas são dos calmos que me alimento. O futuro de minhas emoções não está escrito, mas nas minhas orações peço que a percepção que eu eu tenha da vida possa ser, às vezes doce, salgada, um pouco insossa, mas jamais azeda.

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