terça-feira, 17 de abril de 2012
Vida
Gosto muito dos barulhos sutis dos vizinhos que me cercam. Não me refiro aos sons estridentes, marteladas ou gritos, mas aos passos abafados pelas paredes, janelas sendo abertas, nomes sendo chamados, panelas e suas tampas. Gosto também dos cheiros de comida sendo feita, talheres retinindo, risadas. Um chuveiro ligado com uma criança no banho, cantando. Gosto também de sair à pé, à noite, admirando as ilusões de cada um escritas em forma de jardim, de luzinhas que iluminam o caminho de pedras, de enfeites postos nas paredes, de cata ventos coloridos, telhados recém pintados. Luzes azuladas de tevês que revelam o descanso merecido, gente em volta das mesas, pés em cima de almofadas, cães de lencinhos coloridos deitados ao pé da escada. Tudo anda tão estranho, as pessoas tão distantes, cavando seus espaços, excluindo a convivência do seu dia a dia, que esses sons e imagens do cotidiano de alguém me fazem lembrar que estamos todos juntos nesse barco que se chama vida.
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