quarta-feira, 4 de abril de 2012

Humanidade

Um psicólogo americano, autor de 12 livros, revelou, em entrevista, que a humanidade está no seu momento mais pacífico de todos os tempos. Se retrocedermos na história da civilização, nossos dias são os de maiores lacunas entre um episódio de extrema violência coletiva e outro. Ele afirma que o ser humano é violento e mal por natureza e basta observarmos uma criança até os seus dois anos de idade para comprovarmos. Ela só não mata porque não disponibilizamos à ela uma faca ou revólver e ainda, tentamos controlar os seus ímpetos primais através da educação. Assim, somos violentos e maus e pronto. O que nos suavizam os instintos é o nosso grau de civilidade. Penso que essas lacunas de pacificidade são as mesmas que experimentamos em relação à felicidade. Nascemos infelizes, já inadequados ao mundo, com dificuldades natas de respirar, enxergar, se alimentar, sobreviver. A situação ideal útero, mãe e satisfação de nossas necessidades básicas irão nos perseguir pelo resto de nossas vidas e teremos que nos adequar, da forma mais saudável possível, na tentativa de resgatar a segurança visceral que jamais voltará. Por isso, como a violência, a infelicidade nos dá tréguas através de lacunas que nós mesmos criamos. Na verdade, penso ser mais adequada a palavra "não-feliz", se essa existisse. Somos "não-felizes" de segunda a quinta, no horário de trabalho (com felizes exceções), quando acordamos se despertados (e não naturalmente), na dieta, no exercício forçado, no cumprimento de regras sociais, nas limitações  em geral. Preenchemos e criamos nossas lacunas de felicidade tendo a capacidade de enxergar o tudo de bom que a vida pode nos oferecer. Quanto mais lacunas tivermos no nosso dia a dia "não-feliz", mais felizes seremos. Sermos violentos, maus e infelizes é um conceito pessimista, mas até o pessimismo tem lá suas lacunas de otimismo. Porque se fôssemos a espécie ideal, jamais estaríamos destruindo o mundo e o mundo não seria o que é, pois teríamos o direito ao Paraíso.

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