Sonhei que eu não sentia nada. Nada. Não me entristecia, nem me alegrava, não sentia dor, nem prazer, nem raiva. Apenas existia em uma ausência de sentimentos.Era fácil ligar a vida no piloto automático e sair por aí, robotizando as relações, os apertos de mão, os sorrisos, os elogios.Nada me abalava. Passei a ser alguém fácil de conviver, agradável até, pois tudo me era indiferente, liso, reto e plano. Então, na minha rigidez, eu quebrei. Olhei para os cacos da minha perfeição espalhados pelo chão e finalmente chorei. Chorei com prazer, me desmanchando em emoções. Recolhi cada pedaço e, com uma alegria profunda, levei-os ao lixo.

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