sábado, 28 de novembro de 2015
O valor do silêncio
Nuca fui uma pessoa que consegue se expressar bem, falando.
Gaguejo, me atrapalho, digo o que não gostaria de dizer, deixo de dizer o que estava pronto para ser dito.
Falo para quem não deveria, deixo de falar para quem eu gostaria.
Por isso encontro na escrita um refúgio, uma ordenação dos meus sentimentos.
Não me considero escritora, me considero alguém que no ausência da fala encontra as palavras certas.
Ao menos as minhas.
E amo o silêncio.
E ele deveria ser muito mais valorizado do que é.
As pessoas estão acostumadas com a poluição de sons e tem uma concepção errada em relação à beleza da ausência dos mesmos. Confundem com solidão e tristeza.
Para estar alegre tem que gritar, gargalhar, grunhir, soltar rojão.
Nem sempre.
Os sons são, muitas vezes, enganosos.
A necessidade de ter a última palavra, de retrucar, de revidar é uma necessidade imatura e vazia, o silenciar é a forma mais nobre de repudiar o ódio e o verdadeiro bem geralmente é feito sem alarde.
Quem fala muito engana a consciência, distraí a razão, ludibria a lucidez.
Quem precisa mostrar satisfação e descontentamento através dos próprios sons são atrizes pornô, bebês e animais selvagens, o resto é demonstração exagerada de sentimentos superficiais.
Com exceções.
Falar demais de si, dos outros, dos problemas, das soluções não nos faz melhores, os outros piores e os problemas solúveis.
Falar demais nos torna chatos, compulsivos e insanos.
As palavras ditas nem sempre saem do coração.
A raiva expelida através da fala machuca e estraga.
Discursos são sempre chatos. Os políticos nem menciono.
Somos humanos e usamos da fala para nos relacionarmos socialmente, mas penso que ela tem se tornado uma forma de justificarmos as nossas atitudes erradas.
Uma forma de existir diferente da que realmente existimos.
Um tapa buraco de erros.
"Oi, tudo bem?" é um exemplo.
Ninguém realmente nos pergunta isso querendo uma resposta.
Fazemos da fala um escudo para os sentimentos quando ela deveria ser a manifestações real dos mesmos.
Reservamos as nossas palavras autênticas à quem amamos e abrimos o nosso coração conversando apenas com quem selecionamos, o resto é falastronismo.
Por isso consigo ouvir melhor o silêncio.
De um olhar, de um sorriso verdadeiro, de um postura de ombros, de uma inclinação de cabeça de um mexer nos cabelos.
Do quebrar de ondas, do trinar de pássaros, do farfalhar de árvores e de todos esses sons que não foram inventados por nós.
E se a fala é necessária para viver e se relacionar, o silêncio é necessário para respirar.
Não para sempre, mas o tempo necessário para restaurar a paz que anda arredia e fugidia para a maioria das almas, principalmente as que falam demais.
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