terça-feira, 24 de novembro de 2015
Não desista de tentar ser feliz.
Este ano, o primeiro da minha vida, tive o ímpeto de não colocar árvore de Natal, tampouco luzes e Papai Noel.
Comecei a ver as casas se colorirem de vermelho, verde e dourado e, pela primeira vez na vida, o meu coração não se aqueceu.
Muita tristeza no mundo, muita noticia ruim brotando como Alamandas no verão.
Dinheiro curto, tragédias longas, falta de compaixão e boa vontade, lamas, mortes, queimadas.
Mil chicotes açoitando a minha alma que é sensível como pele de bebê.
Sempre fui muito amiga da melancolia desde a mais tenra idade e toda a dor e beleza de nascer e existir andam de mãos dadas ao meu lado, essas minhas companheiras de vida que insistem em brilhar na mesma intensidade.
Porém, o mundo, vez ou outra, me provoca e me enfrenta na tentativa de fazer eu só enxergar o que a dor é capaz de permitir.
Mas brigo, luto e nunca desisto de acreditar que tudo pode ser bom, tudo pode melhorar e ter um final feliz.
Esse mundo me foi dado e ponto final.
Vou ficar velha e morrer ou simplesmente morrer e a maneira como vivo é o que importa.
E viver, mesmo com todo o caos que isso representa, é tentar construir um mundo dentro desse mundo, um lugar que nos acolha, nos faça feliz, nos preserve, nos alimente e nos dê forças para cavar a dignidade e a coragem de ver o bonito e o bom.
Porque é muito mais fácil destruir do que construir e as portas largas e fáceis de abrir nem sempre descortinarão os cenários mais deslumbrantes.
Mergulhar na profundidade do oceano e desfrutar da sua mágica requer preparo, resistência, calma e boa vontade, assim como navegar ao vento, saltar no céu, surfar no mar.
Para ver a dor basta olhar.
Para ver a beleza é preciso se abrir, se entregar, se dedicar.
Então, enchi de luzes a minha casa.
Bolas coloridas de vidro, renas, Papai Noel e presépio.
Vou fabricar a minha felicidade e este é um direito que tenho.
Que temos.
Me senti feliz, apesar da infelicidade do mundo.
E no outro dia, aquela companheira que faz eu ver o lado bom da vida, empolgada com a minha alegria, me cutucou e apontou para debaixo de um viaduto, ali mesmo perto da rodoviária.
Fui ver o que ela tanto queria me mostrar e enchi os meus olhos de lágrimas.
O papeleiro enchia de luzinhas o caixote que lhe servia de casa.
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