sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Recomeço


Eles tinham algumas fissuras na solidez do amor construído.
Eram mais companheiros no cansaço noturno e na trégua da voracidade do mundo do que mãos dadas em dias de sol.
Eram heróis que se perdiam nas próprias batalhas e esqueciam de lutar por causas esquecidas, mas não menos importantes.
Ela sentia falta daquilo que havia tido, pois não se sente falta do que nunca se possuiu.
Até que foram chamados para longe.
Para contar um pouco sobre a guerra dos outros e explicar o inexplicável para aqueles que faziam sumir as mazelas do mundo com um simples botão de desligar.
E lá longe, no meio da morte, da dor e da esperança, ela viu certos olhos em uma multidão de olhos cerrados.
Olhos de luz.
Uma luz que reacendeu a dela.
Que preencheu um vazio escuro que ela carregava no peito e que ela esquecera de quanto doía.
E os quis para ela.
Os olhos e o homem.
O homem que rasgava a própria pele para vesti-la nos que morriam da dor da tristeza.
Um homem que, um dia, em uma noite qualquer daquela guerra lhe amou com suavidade e lágrimas.
E ela entendeu.
Jamais poderia viver sem seu amor.
Aquele que fez dela outra e a fez querer começar tudo de novo.
Eles tinham algumas fissuras na solidez do amor construído.
E estando perdidos no meio dos mortos, descobriram o caminho para se reencontrar como dois.

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