sexta-feira, 13 de março de 2015

É ruim, mas passa.


Ela vem com tudo, no dia que menos esperamos.
Sobe ácida, queimando mucusas, apertando o coração com muque forte, opressor, extenuante.
Essa ressaca de dias difíceis, não impossíveis, mas dias que nos deixam com a boca amarga e diminuem a nossa vontade de olhar para a luz.
Sabemos que somos saudáveis, felizes, afortunados, mas a quantidade de toxinas que ingerimos bebendo a vida, desta vez, nos fez bambear as pernas na fraqueza de músculos.
Andávamos comemorando, mas em algum erguer de copo, resolvemos esquecer certas coisas.
E vamos rindo e bebericando até que o corpo não aguenta, queremos mais é pagar a conta, ir para casa descansar a cabeça e, quem sabe, chorar um pouco com o enjoo que nos arrebata.
A ressaca desses dias difíceis, não impossíveis, pois o impossível não é amigo de quem está vivo, chega traiçoeira, colocando água fria na nossa esperança morna, arrefecendo o nosso otimismo, curvando os nossos ombros para baixo.
E como veio, passa.
O sol não machuca mais os nossos olhos, o mundo pesa menos e nossas pernas recuperam a força.
Um brinde.
Voltamos a erguer os copos, brindando o ar que se respira.
Até que os dias e copos voltem a desequilibrar os nossos passos.
Nesses dias difíceis, não impossíveis.
E que não duram muito.

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