segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
A Inveja é Burra
Mas como a inveja é apenas um sentimento das pessoas, digo que o invejoso é burro.
Ouvi de diversas bocas para não ficar alardeando a felicidade, pois os invejosos de plantão estão aí para, com seus olhos de Medusa, liquidar com a plenitude alheia.
Dá azar colocar fotos de amor lindo, beleza rara, viagem de sonhos, corpo de sílfide, status de playboy de Sampa, festas de se arrebentar rindo, no Facebook.
O amor vai acabar, a beleza vai minguar, os corpos vão engordar, o dinheiro vai sumir, a festa vai dar uma ressaca daquelas.
Será?
Claro, olha a inveja, comadre! Olha o olho grande!
Vamos por partes.
Muitas e muitíssimas vezes gostamos de registrar a nossa felicidade e dividir os nossos momentos felizes não por exibicionismo, mas por sabermos que, nesse mundo, a felicidade vem em conta gotas e é preciso sorvê-la e degustá-la e colocá-la na palma da nossa mão para a admirarmos pelo tempo que quisermos, mesmo depois dela ter ido embora e virar uma doce lembrança.
Cada foto de dentes expostos pode ter sido precedida por momentos não registrados de lágrimas e ninguém é imbecil para tornar públicas as suas dores, mágoas, neuroses e ninguém quer saber de gente infeliz, pois todo mundo tem o seu grau de infelicidade e quem é saudável de mente vai saber que são para poucos os nossos momentos de dor.
O invejoso é burro porque vê a felicidade projetada em coisas, bens e prazeres, mas desconsidera que nada, absolutamente nada nos faz feliz se não estamos suficientemente bem (de corpo, de alma e de energia) para receber todas as benesses do conforto material e físico.
O invejoso inveja a coisa, não o contexto, pois no contexto todos sofrem, choram, sentem medo, raiva angústia, mesmo tendo a coragem de secar as lágrimas com o dorso da mão e sorrir para a foto, dois dias depois, bebendo um martíni na sua piscina de águas turquesa.
E, sim, quem ri vai querer postar no Facebook, feito uma aval, feito uma medalha que se dá à si mesmo com a intenção de fazer daquele momento especial uma lembrança de que, mesmo vindo muitos outros ruins, enquanto vivos, sempre teremos momentos especiais.
Vamos querer dividi-los, compartilhá-los, degustá-los de todas as formas possíveis.
E não existe força invejosa que derrube nossas conquistas.
Pois a inveja é burra.
Ou seria o invejoso?
Tanto faz.
Pois a burrice não constrói nada.
E duvido que seja capaz de destruir alguma coisa.
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