sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fast Food


O que somos sem roupa? 
Sem engolir, respirar, digerir, absorver nada que não é nosso de verdade?
Sem aquele peso familiar que nos protege, mas também nos abafa?
Que imagem o espelho devolve de nós mesmos quando paramos de repente, sem poses, na sua frente?
O que realmente nos serve sem os subterfúgios do anestesiamento das superficialidades que são soro e só nos salvam por determinado tempo?
É possível acordar todos os dias sem elevar nas pálpebras o chumbo que os outros nos impõe.
Mesmo que doa porque, afinal, tudo dói.
Mas o jejum de tantas coisas tolas que nos suprem feito um lanche do Mac Donald's, abre espaço para o que nos dá forças.
Não para sobreviver.
Mas para existir.

Não tão enfarados, mas cheios de saúde.

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