sábado, 18 de maio de 2013
Frágeis? Talvez nem tanto.
É, eu me engano. Me enganei muitas e muitas vezes na vida, mais do que gostaria. Acreditei em pessoas que me traíram, confundi dissimulação com timidez, me doei para quem não merecia nem uma molécula do meu corpo. Mas a vida é assim mesmo. Meu último engano foi acreditar que uma idosa doente não poderia estar maltratando suas cadelinhas, pois na minha ingênua concepção de vida, enxergo os idosos como seres vulneráveis, bebês adultos que necessitam de atenção e carinho. Mais um engano. Idosos são pessoas que envelheceram as suas identidades, o seu caráter. Se tornaram uma imagem frágil de um passado nem sempre reto. São a evolução de si mesmos, bons, maus, psicóticos, loucos, sãos, otimistas, derrotistas, egoístas. A fragilidade no andar, nos gestos, na postura emana a vulnerabilidade que comove, mas que também engana. Não coloco os idosos no mesmo patamar das crianças e animais, seres puros e ainda intocados pela malícia humana. Os coloco no seu devido lugar. Tem minha admiração e respeito aqueles velhinhos que conseguiram fazer algo melhor por alguém, por si, pelo mundo. Os maus são aqueles que se retorcem na caricatura de si mesmos. Serão maus, sem o benefício dos disfarces da juventude.
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