domingo, 2 de junho de 2013

Matemática


Eu tinha estado tão presa à conceitos.
De que a felicidade é magra, lisa, jovem, medida com números, com padrões estipulados por quem quase sempre não é feliz.
A felicidade foge à regra, quebra tabus, segue caminhos inversos aos discursos cheios de efeitos especiais.
A felicidade não é propaganda de banco, tampouco de carro ou de cartão de crédito, mas algo bem menos pensado do que tudo isso feito para agarrar à unha quem pensa que ser feliz é tão reto e fácil.
Podemos ter um monte de dinheiro, beleza, status e, no final, aquele esperado resultado de que dois mais dois resulta em quatro se mostra inválido em um quesito bem mais profundo do que arestas, somas e resultados.
Ser feliz não é matemática, é estado. E não depende de nada que a física conheça, mas daquele monte de coisas que nos fazem mais sedentos de vida, mesmo sendo estranho e engraçado para o outro.
Um cheiro, um cenário, uma sensação que acorda, que cutuca o corpo e faz ele querer fazer o que mais sabe - viver nessa existência breve, triste, alegre, feia, linda. Porém unica.
A felicidade vem em tabletes, em comprimidos, em doses pequenas e grandes e nos faz, feito remédio, suportar essa incompreensível, dolorosa e bonita, tarefa de passar por este Mundo.
Ela não pode ser comparada, medida, censurada, padronizada.
Ela é costurada em cada pessoa com a medida certa para vestir a sua alma.
Medida que não mede.
Protege, aquece.
Restaura.

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