sábado, 30 de junho de 2012
Conto de amor
Eles eram felizes assim, ha um tempo. Ele abraçava mais, beijava mais, aquecia mais o corpo dela, à noite, quando serenavam os ponteiros do relógio e o tique e taque era mais uma música do que uma urgência. A palavra "desculpa" costumava sair mais dos lábios contornados pela barba mal feita, lábios mais generosos e que sorriam fácil. Ela achava que ele ria muito, se preocupava pouco, se desculpava toda hora. Ele cuidava, ela era cuidada e precisava de espaço, de sair mais com as amigas, fazer mais coisas sozinha. O espaço dele era ela, preenchendo cada momento morno dos dias de folga, com café, conversas, sushi e mãos enroscadas. Um dia, no meio desse tempo em que eles eram felizes, ele ficou vazio de abraços. Ela se sentiu livre. Ela podia ser ela, coisa que amava, ele podia ser ele e eles podiam ser dois mais soltos, mais individuais, mais normais. Mas o tempo trouxe a falta de algo que só ele costumava cuidar e ela tinha esquecido de como criar. Eles não eram mais felizes, nem cúmplices, nem íntimos. Alguma coisa fazia ela querer de novo o riso fácil, a falta de preocupação que não era dela, era dele, mas que ele fazia ser dos dois. Então, ela teve que reaprender a abraçar mais, beijar mais, sorrir mais. Ela fez ele se preencher dela novamente até eles voltarem a ser o que eram. Dizem que eles estão felizes por muito tempo. E estão sempre se abraçando.
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