segunda-feira, 25 de junho de 2012

Barco

Meus olhos ainda vêem muitas coisas ruins, mas não me permito esquecer de sorrir. A violência e a insensatez do mundo me servem de despertador noturno e a manhã ilumina as brincadeiras dos meus cachorros, as camas ainda quentes e desfeitas das minhas filhas, o verde úmido e orvalhado das plantas. Afasto as nuvens de preocupação - com tantos filmes de futuro que passam na minha mente - com um sopro suave em uma xícara cheia de café com leite. Deixo por pouco tempo o meu lado de pouca fé governar a minha esperança, enegrecer o meu otimismo, desvirtuar o meu coração, amargar os meus pensamentos e palavras. Meus dias podem ser todos uma grande sexta feira, assim como as cortinas podem cair, pesadas, encerrando a mágica. O meu barco pode ser levado por brisas suaves, subir e descer nas marolas cristalinas, como pode quase naufragar nas tempestades. Mas jamais me permito desistir de acreditar. Mesmo quando o silêncio de um coração interrompido me mostre que nada aqui é infinito. Pois quando for a minha vez de silenciar, quero estar do outro lado do caminho olhando para trás, satisfeita por não ter deixado que o medo das ondas bravas e gigantes me impedissem de desfrutar do sol e do colorido da vida, ao navegar.

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