domingo, 3 de maio de 2015

Fichas e Insights


A vida é longa para que possamos deixar as diversas fichas caírem.
Nada é por acaso.
Eu simplesmente amava lombinho de porco.
Até descobrir que lombinho é a abreviatura de lombo e, se de porco, significa que as costas do coitadinho eram bem pequenas.
E que porco, saibam, é muitíssimo inteligente e sociável. 
Uma das primeiras fichas, dentre centenas.
Amo cachorro, amo ave, amo vida e como posso comer porco, boi e galinha?
Não, mesmo.
E dá-lhe fichas caindo.
Virei vegetariana.
Um aviso!
Quase sempre que uma ficha cai, o sofrimento é inevitável.
Exemplifiquei com meus hábitos alimentares, mas o buraco é mais embaixo.
Olhamos para trás e nos deparamos com aquele EU que nos causa desconforto, vergonha, arrependimento.
Nos deparamos com situações em que esboçávamos um sorriso mesmo tendo giletes cortando a nossa alma. Nos deparamos em prantos, sozinhos, porque de pranto ninguém quer ser cúmplice, pois é muito compromisso.
Faz parte.
Temos uma coisa maníaca de protelar e desconsiderar a dor, por menor que ela seja. 
O choro virou uma bandeira de derrota em um mundo de sorrisos tão brancos quanto pastilhas mentoladas.
Em um mundo de festas e confetes, de conquistas permanentes, de postagens infalíveis.
Hoje em dia eu choro até com a propaganda das Casas Bahia se eu assim quiser. E ai de quem me olhar torto.
Porque essa sou eu.
E as fichas são minhas.
E se eu estiver cansada depois de dormir doze horas, estarei, sim, cansada depois de dormir doze horas.
Fichas caindo não tem regras.
E mesmo a gente fingindo não perceber, elas caem aos borbotões.
E se fingirmos não perceber, não faz mal.
Elas sempre estarão à nossa frente esperando a chance de nos mostrar o que realmente queremos ser.
O que somos.
Ou o que queremos deixar de ser.
Sem drama algum.
Apenas aquela dorzinha boa de se livrar de alguma coisa que parasitava a nossa pele.
E que foi nossa, sim senhora.
Mas não é mais.
E não temos mais medo de dizer.

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