segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Recém nascido

Certas vezes penso na morte. Também na minha, mas principalmente nas que me cercam, as que sei existirem e das quais me revolto, choro e demoro a preencher a cratera que fica profunda e vazia dentro do peito. Na minha infinita ignorância, viro bebê ao questionar as leis Dele, mesmo sabendo que Ele deve sorrir, condescendente, como o pai que vê o filho tentar encher de água um buraco na beira da praia. Mas como criança teimosa que sou, me cerco de porquês, tentando dar o passo que sei não ser possível para a fragilidade das minhas pernas. Não lembro do dia em que nasci. Devo ter sentindo medo, agonia, sei que chorei e fiz outros chorarem também. Eu não planejava partir e sofri com os últimos momentos de despedida. Depois, aprendi a amar a chance que tive de poder ver tudo o que vi e senti e o desconhecido se tornou minha casa. E mesmo daqui a muitos ou poucos anos, já tendo passado por tudo isso, vou chorar novamente, sentir dor e medo, e mesmo que eu não reconheça de imediato, saberei que estarei partindo. E serei mais um recém nascido.

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