sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O Melhor de Tudo
A gente vê uma foto e tem uma saudade. Parece que ali, no sorriso congelado, no cabelo diferente, o céu parecia mais azul, os contrastes mais bonitos. A gente pensa como se era feliz e não sabia porque foto a gente não tira de momento triste e mesmo que a gente esteja triste a gente sorri e acena e pode até ficar sério para bancar o bacana, mas triste a gente sai de perto e diz que o cabelo anda ruim e que deixa pra outro dia, pois o dia nem está tão ensolarado. Foto dos outros nem se fala. Quanta gente feliz, bem humorada, cheia de sorte, dinheiro, saúde, abraços, gargalhadas. Que lugar é aquele que nem conheço? Que casa, cachorro, filho, vestido, carro, familia, marido, corpo, olhos, nariz, rosto, mãos tão bonitas! A gente quer pegar o bom de cada momento que não é o agora e que não é o nosso, só o bom, e acreditar que é só ele que existe. Porque a gente é gente, e gente faz isso. A gente quer acreditar que os outros tem aquele melhor trabalho, marido, jardim, casa, mãe, vida. A gente quer pegar o nariz mais bonito, com o melhor olho, a boca mais carnuda, o melhor de tudo pra montar um eu perfeito que, na verdade, fica horrendo porque beleza não é simetria, nem perfeição absoluta, nem matemática. A gente quer fazer da vida uma coisa só boa e se não for só boa, é porque a gente não fez certo e os outros fizeram. A gente sempre pensa que está perdendo a melhor festa, a melhor parte. E quando a gente olha de novo as fotos de hoje que amanhã serão as de ontem, a gente pensa como era feliz e não sabia. Porque a gente é gente e gente faz isso.
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