sexta-feira, 17 de julho de 2015

Livre


Estou saindo de mudança.
Para aonde eu tenha mais do que tudo.
Deste tudo que não é nada.
Aonde eu veja a luz do amanhecer sem a sombra dos prédios.
E tenha o luxo de ser pequena na grandiosidade da terra.
Vão atender pelo nome as minhas galinhas, vacas e patos.
E eu mesma não vou precisar ter um nome na minha existência sem planos.
Serei o nome de cada flor, folha e peixe que nadar no meu pequeno e translúcido lago.
Terei o mesmo respirar tranquilo das árvores e a mesma linguagem profunda e límpida do entardecer entre montes.
Caminhares e sapatos que exijam reconhecimento me serão estranhos.
Viverei de ver o mar e do êxtase de ter as ondas e as estrelas como minhas melhores amigas.
Em uma cabana sem luxos, pintada da cor do oceano.
Minha vida, se breve ou longa, será o tempo da minha alegria.
Não programada no compromisso do acerto, da longevidade e da previsão árdua e cansativa de um futuro.
E se tudo me faltar, tudo o que me ensinaram à me acostumar, não faz mal.
Serei a pessoa mais pobre do mundo.
Com a única coisa que me fez enriquecer.
A liberdade.

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