quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Destino


Três elevadores. A fila imensa. Eu, a única a querer ir ao subsolo. Aperto o botão de baixo, para descer. Alguns apertam o de cima, para subir. Muitos chegam, vêem ambos botões iluminados e aguardam. Chega um elevador. Alvoroço. A luz do botão de baixo apaga, sinal de que irá descer. O povo se joga para dentro, sem olhar para nada, apenas com o intuito de entrar no primeiro elevador a chegar. Entro. Quieta, quase sorrindo, me divertindo, na verdade. Começa o movimento de descida. O povo urra "ah não, está descendo!". Em um misto de culpa e divertimento, explico: o botãozinho de baixo apagou, sinal de que o elevador iria descer. Silêncio e bufadas. Saio no subsolo e sinto que sou fuzilada por vários pares de olhos nas minhas costas. Nem sempre o destino é o culpado pelas nossas burradas.

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