quinta-feira, 22 de março de 2012
Tempo de Colheita
Eu fui jovem. Sou hoje madura e serei idosa, se eu viver até lá. Por mais longínquo que possa parecer, me curvarei com o peso da vida, verei meus cabelos rarearem e enbraquecerem e meus olhos se tornarem opacos e cinzentos. Não sou pessoa de pensar no futuro, mas hoje pensei. Pensei nos velhos que envelhecem sozinhos, imersos em mágoas, reclamações e falta de paz. A velhice deve ser o momento da colheita, onde cada sementinha de amor, amizade e compreensão nos serão devolvidas árvores frondosas por aqueles que sempre estiveram ao nosso lado. Quando me dói assistir à idosos abandonados por filhos, esquecidos por amigos, penso no que sou, o que faço, como amo, compreendo, respeito, sorrio, ajo. Penso na relação que existe entre ter sido bom na maturidade e não rejeitado na senilidade e se essa relação realmente existe. Será que o fato de eu ter sido exigente, dura, severa, crítica, má, me tornará uma velhinha solitária? Tenho exemplos de que sim. Pessoas que se importaram mais com a arrumação da casa do que com a casa cheia de gente e bagunça plantaram uma Casa Vazia Arrumada para seus futuros. Pessoas que trocaram a convivência com os filhos, mesmo que rara, mas intensa, pelo prazer pessoal, terão a o prazer da própria companhia pelo resto de suas vidas. Quem achou trabalhoso manter amizades, casamentos, relações, entenderá que a solidão não dá trabalho, mas também não dá prazer. Hoje pensei. Posso ter sido louca, santa, regrada, má, boa, difícil, tranquila. Posso ter sido jovem, porém sou madura e vou envelhecer. Estarei eu, cercada dos que amo, sendo cuidada por quem cuidei? Estarei recebendo visitas nulas ou esporádicas, sentada em fente à TV de uma ala geriátrica, esperando a morte chegar? Creio que onde e como eu estiver, a única oisa que não mais me ajudará é olhar para trás, pois será tempo de colher.
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Parabéns! Muito bom!
ResponderExcluirBrigada Nóris. Bjs
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