domingo, 25 de março de 2012

Alma Rebelde

Guardo cada adolescente do mundo em um canto especial do meu coração. Hoje, sendo a velha  do meu passado, posso não compreender muito uma alma que desabrocha, mas sirvo de colo e amparo, pois sei que cada lágrima, grito, batida de porta e atitude de revolta vem encoberta com a bruma da dúvida, da insegurança, da inquietação. Viajo no tempo da minha memória e resgato o primeiro amor que me rasgou em pedaços na tentativa vã de ser eterno, mas na confusão de não mais querer um futuro. Navego na sensação passada de querer transgredir o corpo e fundir a alma ao meu amado, cada cheiro, cada imagem com a intensidade de uma explosão. Os amores, as dores, as conquistas, tudo em lente de aumento, tudo batido e misturado em um coquetel de prazer e confusão extremos. Nada brando, tudo sem medidas. Alegrias e dores eternas, idolatrias, desafetos, desavenças tão pequenas, mas tão intensas. Medo do corpo, do futuro, das descobertas, de cada passo, do mundo. Uma fome de corpo e de espírito, querendo devorar cada fragmento de vida, cada dia, cada prato, cada aventura, como se fosse a última. Guardo meu colo para esses bebês, crianças, adultos que me enchem de compaixão. Estendo minhas mãos para essa existência tão bonita, tão confusa, tão mutante. Te aceito e te admiro alma rebelde, pois essa é a tua verdade e esquecerás quando o tempo passar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário