sexta-feira, 3 de junho de 2016

Quando nada fizer sentido.


Quando nada fizer sentido.
Procure algum lugar onde o mar, o rio, o lago possa ser visto de cima.
Abra a janela dessa casa na colina, abra os olhos na beira do penhasco, finque os pés na inclinação do morro, tenha o vento segurando as cordas e as cordas segurando o seu corpo.
Acima da imensidão da água.
Quando nada fizer sentido.
Seja a nuvem que lânguida, suave e lenta suspira sua sombra nas ondas ou marolas e deixa tatuado nas gotas o deslizar tranquilo de uma viagem que nunca acaba.
Seja a nuvem que aceita virar água para em seguida olhá-la de cima.
Quando nada fizer sentido.
Seja o brilho do sol que ofusca e tinge de dourado todo azul, verde, marrom ou cinza.
More nas asas que sobrevoam e nos barcos que singram.
Namore o mistério do horizonte.
Perscrute os movimentos que não ousam espiar o ar.
Respire.
É preciso sentir para poder respirar.


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